jan
28

A Justiça Federal de Goiás proibiu ontem (27), em caráter liminar, a realização da cirurgia de redução de estômago que promete curar o diabetes até que o médico Áureo Ludovico de Paula submeta o procedimento –considerado experimental– ao Conselho Federal de Medicina e ao Conep (Comitê Nacional de Ética em Pesquisa).

Em caso de descumprimento, Ludovico será multado em R$ 100 mil por cada cirurgia realizada em desacordo com a decisão. A técnica, conhecida como interposição de íleo, foi desenvolvida pelo cirurgião goiano e realizada no apresentador Fausto Silva. Mais de 450 pacientes já se submeteram ao procedimento. Cabe recurso.

Enquanto aguarda a aprovação do Conep e do CFM, Ludovico só poderá realizar o procedimento em casos comprovados de urgência (como risco de morte). Essa decisão caberá a uma câmara formada por três médicos no Conselho Regional de Medicina de Goiás por determinação do juiz Urbano Leal Berquó Neto.

A decisão atende parcialmente a uma ação do Ministério Público Federal contra o médico. O procedimento não tem aprovação do Conep e não é reconhecido nem pelo CFM nem pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica.

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jan
28

O Corinthians manteve a proposta de aplicar o rodízio de jogadores. A formação escolhida desta vez por Mano apresentou sinais claros de desentrosamento. Ronaldo até teve seu momento de brilho, marcando um gol, mas sofreu uma lesão e já está vetado para o clássico com o Palmeiras. Melhor para o Mirassol, que conseguiu o empate no Pacaembu, 1 a 1, graças a um erro grotesco do goleiro Felipe e do lateral Balbuena.

Apático no ataque, o Mirassol contou com a colaboração da defesa corintiana, que não interceptou a bola em jogada na área, sobrando para Ferreira marcar.

“Houve uma indecisão, que acontece no futebol. A bola poderia ser dos dois [Felipe e Balbuena], mas os dois recolheram. Na indecisão, rasga tudo. Esse é meu pensamento. Dá um bico nela para escanteio, para lateral, e acaba com a jogada. E não foi isso o que aconteceu”, comentou Mano.

O resultado impediu o Corinthians de assumir a liderança isolada do Paulistão. A falta de entrosamento do Corinthians ficou nítida no primeiro tempo. Estreante e visivelmente fora de forma, Danilo apresentava dificuldade na movimentação das jogadas de ataque. Escudero e Tcheco evitavam avanços à área adversária, deixando Ronaldo isolado. Jogador mais veloz do ataque, Dentinho se posicionava pelo lado direito na primeira etapa.

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jan
28

A taxa de desemprego média no Brasil em 2009 ficou em 8,1%, pouco acima dos 7,9% em 2008, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Trata-se da segunda menor taxa da série iniciada em 2002.

Em dezembro, o desemprego atingiu 6,8% da população economicamente ativa, ante 7,4% em novembro. Na comparação com dezembro de 2008, a taxa ficou estável. O resultado de dezembro foi o menor para um mês também na série histórica.

A renda média do trabalhador ficou em R$ 1.344,40 em dezembro, 0,9% menor que em novembro, mas 0,7% acima do verificado em dezembro de 2008. Em 2009, a rebnda média do trabalhador ficou em R$ 1.350,33, uma alta de 3,2% frente a 2008. Para um ano fechado, desde 2003, foi o maior rendimento médio da série –iniciada em março de 2002.

Em dezembro, o IBGE registrou 1,6 milhão de pessoas desocupadas, queda de 7,1% em relação a novembro. Ante dezembro de 2008 o resultado ficou estável. A média mensal de desocupados no país no ano passado ficou em 1,9 milhão de pessoas, 1% acima do visto em 2008.

A população ocupada média em 2009 foi de 21,3 milhões de trabalhadores –o que representa uma queda de 1,8% sobre a média do ano anterior. Em dezembro, eram 21,8 milhões de pessoas empregadas, o que indica alta de 1% sobre o resultado de novembro. Na comparação com dezembro de 2008, houve incremento de 1,4%.

Por setores, a indústria registrou diminuição de 0,1% na oferta de vagas, em dezembro, na comparação com novembro. Em relação a dezembro de 2008, houve elevação de 0,4%.

Já na construção, foi verificado aumento de 2,6% sobre novembro, e de 5,3% em relação a dezembro de 2008. No comércio, houve aumento de 2,3% na oferta de empregos frente a novembro, mas houve queda de 0,3% contra dezembro de 2008.

O IBGE mede a situação do mercado de trabalho nas regiões metropolitanas de São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Salvador (BA), Recife (PE) e Porto Alegre (RS).

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jan
28

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou às 6h58 desta quinta-feira (28) o Hospital Português, no Recife (PE). Ele foi internado após ter uma crise hipertensiva quando estava no avião com destino a Davos (Suíça), por volta da 0h30 (horário de Brasília). Por ordem médica, ele foi proibido de viajar.

Lula saiu com aparência abatida, vestido com um conjunto de moletom branco. Ele estava acompanhado pelos ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Alexandre Padilha (Relações Institucionais), que passaram a noite toda com o presidente. Lula cumprimentou a equipe médica e não deu declarações à imprensa.

Da base aérea de Recife, ele seguirá para São Paulo e, de lá, para o seu apartamento em São Bernardo do Campo, onde ficará em repouso até domingo. A primeira-dama Marisa Letícia já estava em São Bernardo antes da internação de Lula, pois não iria acompanhar o marido a Davos. Não há previsão de que Lula fará exames em São Paulo.

O médico da Presidência, Cleber Ferreira, que acompanha o presidente há cinco anos, disse que a pressão arterial de Lula chegou a 18 x 12. Lula passou por exame de eletrocardiograma, raio-x do tórax e exame de sangue.

Segundo o médico, a crise hipertensiva pode ter sido provocada por um quadro de estresse e cansaço. Esta é a primeira vez, durante o período que o médico atende ao presidente, que Lula tem uma alteração na pressão arterial.

“O presidente não é hipertenso, este é um quadro esporádico”, disse Ferreira. A pressão arterial normal de Lula é de 11 x 8.

O ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, disse que Lula não vai mais participar do Fórum Econômico Mundial, em Davos. Ele será representado pelo presidente do Banco Central, Henrique Meireles, na premiação que receberia a distinção de Estadista Global.

O médico disse que Lula insistiu até o último momento para viajar, mas não foi autorizado.

Rousseff e Padilha cancelaram a volta para Brasília para ficar com o presidente. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), também visitou Lula no hospital. Campos disse que o presidente brincou e conversou antes de ir dormir.

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jan
27

Cinquenta dias depois de registradas as primeiras enchentes nos bairros da várzea do rio Tietê, na zona leste de São Paulo, quase nada foi feito para resolver a situação das milhares de pessoas que convivem diariamente com água e esgoto. As autoridades responsáveis, mesmo quando cobradas judicialmente, não são capazes de dar uma resposta para os alagamentos e continuam a culpar a chuva pela tragédia. Enquanto isso, os moradores veem, dia após dia, a água subir até a altura da cintura.

Além dos arredores da rua Capachos, no Jardim Romano, que enfrenta a água represada desde o dia 8 de dezembro do ano passado, o bairro da Chácara Três Meninas, no Jardim Helena, ambos na região do Jardim Pantanal, teve suas ruas alagadas durante o fim de semana. Em questão de minutos, a água invadiu casas e fez os moradores perderem tudo.

Dezenas de pessoas ouvidas pela reportagem do UOL Notícias disseram que esta é a primeira vez que enfrentam um alagamento assim e que a chuva que atingiu o bairro não foi forte o suficiente para provocar uma enchente dessas proporções.

“Moro aqui há quinze anos. A água nunca entrou em casa desse jeito. E nem choveu tanto para deixar nesse estado”, disse a professora Sueli Aparecida dos Anjos, 53. Na casa onde ela vive, a água chegou até a altura das tomadas e ela precisou desligar a energia elétrica. Está sem luz desde domingo.

Ao conduzir a reportagem pelo labirinto de caminhos tortos da favela da Paz, na beira do rio Tietê, que ela conhece como a palma da mão por ser professora de diversas crianças da creche da região, Sueli contou que foi morar ali depois de ficar viúva. “Saí de Guaianases [no extremo leste da cidade] e vim pra cá em uma situação muito difícil, com três filhos. Quase fiquei em uma dessas casas aí da margem. Tive sorte. Então, eu digo que hoje estou no paraíso. Por isso corro pra ajudar quem realmente precisa.”

Para ela, quem realmente precisa de ajuda são as famílias que são vistas com água até a cintura carregando sacos e juntando em carrinhos os poucos pertencem que sobraram. Caso de Rafael Dantas da Cruz, 21, que decidiu deixar a casa onde mora há três anos e nesta terça-feira (26) era visto em meio à mudança. “Não sei pra onde vou. Só sei que não dá pra morar dentro da água… Vou pra debaixo da ponte, né?”, afirmou.

O vizinho dele, Joselito Antonio da Silva, 32, também pretende sair, mas não pelo valor oferecido pela prefeitura, que é de R$ 300 em forma de auxílio-moradia. “Tenho quatro filhos para criar sozinho. Não tenho condições de aceitar esse valor. Não existe casa por esse preço”, explicou.

Outra que reclamou do valor do benefício foi Mercedes Mingroni, 54. “Paguei R$ 13 mil por essa casa sete anos atrás e ainda fiz um monte de reformas. Não vou vender. Não vou sair por R$ 300”, disse, revoltada, enquanto o marido tentava usar uma bomba improvisada para tirar a água que acumulou na casa durante o temporal.

“Quem vai se cadastrar é recebido de forma agressiva. Quando as pessoas aceitam sair, não recebem o dinheiro. E ninguém na região quer alugar casa para família que têm crianças”, explicou Maria Zélia Souza Andrade, que faz parte do Movimento por Urbanização e Legalização do Pantanal (MULP).

Em umas das ruas do bairro, um grupo de mulheres se espalhava por uma cama que foi montada na garagem, quase na calçada. Nos fundos, a água batia no joelho. “Aqui onde eu agora estou dormindo, eu tinha uma lojinha de doces”, conta Neuza Gomes Ferreira, 43, que vive há seis anos na Chácara Três Meninas com o filho de 1 ano e 3 meses. “Ou seja, além de perder tudo, não tenho como trabalhar”, explicou.

Na rua paralela, Aiac de Souza Santos, 19, deslizava sobre as águas lodosas, enquanto crianças se divertiam brincando de tirar uma cobra da poça. “Chamei os meninos da rua para montar isso aqui. Tem que ter criatividade, né?”, disse ele, sobre uma balsa feita de garrafas pet e paletes. Era assim que ele passeava pela rua da casa onde mora, que, segundo ele, estava com água até a coxa.

“Tá vendo? O lazer na periferia é esse. Quando chove tem lagoa”, resumiu Sueli.

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jan
27

Aos 41 anos, o alemão Michael Schumacher está prestes a reestrear na Fórmula 1, mas para ele isso é só o começo. O heptacampeão mundial tem contrato de três anos com a Mercedes GP, e não vê problemas em se manter inclusive depois de 2013.

Para o piloto, o contrato de longa duração oferecido pela nova escuderia é um sinal de confiança, e não precisa significar uma data definida para o fim de sua carreira.

“O melhor é que a Mercedes acredita em mim e que temos a chance de ter êxito juntos durante três anos. Mas, depois desses três anos, não tem por que terminar com tudo”, declarou o alemão nesta quarta em entrevista ao jornal Bild.

Schumacher disse ainda que refletiu muito antes de anunciar o retorno pela Mercedes, para ter certeza de que não se tratava de um impulso espontâneo e que teria bases duradouras. Chegou à conclusão de que seu entusiasmo ainda é suficiente para vários anos.

O alemão chegou a anunciar seu retorno já no ano passado, mas apenas para substituir o acidentado Felipe Massa na Ferrari. O que acabou não acontecendo devido às dores no pescoço, que foram consequência de um acidente de moto sofrido por Schumacher.

Por sinal, o alemão admitiu que ainda tem fortes sentimentos pela Ferrari, equipe em que foi cinco vezes campeão mundial. “Tenho que tomar cuidado para não entrar nos boxes vermelhos quando for trocar pneus”, brincou Schumacher.

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jan
27

Porto Alegre, 26 jan (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou hoje durante o Fórum Social Mundial que irá ao Fórum Econômico de Davos (Suíça) e vai “jogar na cara dos países mais ricos” a crise financeira e o “abandono” do Haiti.

“Vou a Davos como em 2003, com orgulho do que tenho que dizer e mostrar (…) e com a missão de dizer que se o mundo desenvolvido tivesse feito a lição de casa na economia, não teríamos tido crise”, afirmou Lula em discurso realizado perante aproximadamente 10 mil participantes do Fórum Social em Porto Alegre.

Como fez em 2003, pouco após assumir a Presidência pela primeira vez, Lula participou antes da reunião Social e amanhã viaja para Davos, onde receberá do Fórum Econômico a primeira edição do prêmio de “Estadista Global”.

Apesar do prêmio, Lula alertou que vai a Davos com exigências contra os representantes de países ricos e empresários que vão se reunir.

“Davos não discutiu a crise que estava por vir” e que o Fórum Social já tinha antecipado desde sua primeira edição, em 2001, afirmou Lula.

Também garantiu que vai acusar o mundo desenvolvido pelos fracassos da Rodada de Doha da OMC e da Cúpula sobre Mudança Climática de Copenhague e rebateu críticas que alguns países europeus fizeram ao álcool de cana produzido pelo Brasil.

“Não aceitaremos que ninguém ponha seus dedos sujos de petróleo na matriz energética brasileira, uma das mais limpas do mundo”, afirmou.

Além disso, antecipou que irá dizer com orgulho “que o Brasil não deve mais nada ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e que, ao contrário, acaba de emprestar US$ 14 bilhões” ao organismo.

Perante uma plateia que lhe interrompia seguidamente com ovações, acrescentou que também dirá em Davos que “um torneiro mecânico foi quem mais criou universidades e escolas técnicas profissionais” e demonstrou que “é possível mudar a história de cada país”.

Lula refletiu, além disso, sobre as responsabilidades da tragédia do Haiti, país que foi arrasado por um terremoto no último dia 12.

“O que aconteceu no Haiti, mais que desatenção, foi falta de respeito ao direito sagrado da cidadania”, afirmou, referindo-se à miséria vivida pelo país há anos, também atribuída pelo presidente aos países mais ricos.

Acusou os chamados “países doadores” do Haiti de haver retido o dinheiro que tinham comprometido e disse que acredita que a devastação causada pelo sismo “provoque vergonha nos Governos que poderiam ter feito algo” para ajudar.

Além disso, anunciou que visitará o Haiti no próximo dia 25 de fevereiro, e pediu ao Fórum Social que dedique este ano à “solidariedade para a reconstrução” do país.

Em outro momento, ressaltou o “extraordinário momento” que, segundo sua opinião, vivem a “América do Sul e toda a América Latina”, graças a uma série de Governos progressistas que “estão dando passos importantes para a consolidação da democracia”.

Sobre o Fórum Social, lembrou que, quando foi lançado, há dez anos, o evento “era só um experimento da sociedade civil com a ideia que outro mundo é possível”, e agora “segue intacto, mas mais maduro” e com “muito mais espaço para crescer”, graças à crise financeira que previu há uma década.

Em tom de despedida, disse que não voltará mais ao Fórum Social como presidente, pois entregará cargo no dia 1º de janeiro do ano que vem, mas garantiu que não se afastará das lutas sociais que marcaram sua vida.

Também pediu ao movimento contra a globalização que siga na busca da “utopia do impossível” com “vontade, coragem” e respeito à diversidade e à solidariedade que desde o início caracterizaram o Fórum Social Mundial.

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jan
25

O representante da ONU (Organização das Nações Unidas) no Haiti, Edmond Mulet, alerta em entrevista a Fábio Zanini, enviado especial da Folha ao país, que, 13 dias após o terremoto de magnitude 7, a ajuda humanitária entra em uma nova fase –que exige planejamento muito maior do que se viu até aqui. Ele afirma ainda que, após a devastação do tremor, a ONU deve ficar no país por “muitos, muitos e muitos anos” ainda.

“Estamos mudando de uma fase de resposta urgente para uma de assistência humanitária, que tem de ser mais estruturada”, afirma o guatemalteco Mulet, em entrevista à Folha publicada na edição desta segunda-feira (a íntegra está disponível apenas para assinantes do jornal e do UOL).

“Em 2012, provavelmente, sairíamos. Mas com esse cataclismo, temos de revisar tudo. A presença da ONU aqui será de muitos, muitos e muitos anos ainda. Nós não estamos recomeçando do zero. Estamos abaixo de zero”, completou. Ele diz ainda temer que um novo desastre em outro lugar relegue o Haiti de novo ao esquecimento.

Mulet, subsecretário da ONU para operações de paz, foi chamado às pressas para chefiar a Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti) após a morte do tunisiano Hédi Annabi e de seu vice, o brasileiro Luiz Carlos da Costa, no tremor.

Reunião

A comunidade internacional começa a traçar nesta segunda-feira, em Montreal, no Canadá, um plano de emergência para aliviar a situação do Haiti e a estabelecer os parâmetros para um compromisso a longo prazo que permita a reconstrução do país.

Mais de duas dúzias de países e organismos internacionais devem analisar na cidade canadense a situação humanitária que se vive no Haiti 12 dias depois do terremoto que assolou o país e aumentar sua coordenação para solucionar os problemas surgidos.

Os responsáveis de Relações Exteriores do Grupo de Países Amigos do Haiti junto com os da República Dominicana, Japão, Espanha e União Europeia (UE), estabelecerão um acordo básico sobre a visão estratégica a longo prazo necessária para a reconstrução do país.

A definição dessa visão estratégica, que poderia ser similar ao Plano Marshall que reconstruiu a Europa após a Segunda Guerra (1939-1945), será determinada em uma futura cúpula de líderes e cuja data e lugar serão anunciados no final da conferência de Montreal.

Plano Lula

O ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, que participará da reunião desta segunda-feira, disse neste sábado (23) que o Haiti vai precisar de um Plano Lula para a reconstrução do país. Segundo ele, a ajuda de médio e longo prazo ao país caribenho deve ser feita mediante projetos.

Em Porto Príncipe para uma rodada de entendimentos com líderes haitianos, das Nações Unidas e brasileiros, o ministro elogiou a mobilização internacional para ajudar as vítimas do terremoto.

Perguntado se o Haiti precisaria de uma espécie de Plano Marshall, Amorim respondeu: “Por que não um Plano Lula?”

Segundo o ministro, o Brasil pretende montar projetos para a reconstrução do país. Um deles é a possibilidade de ajudar, junto com os Estados Unidos, na construção de uma hidrelétrica no país. Amorim também afirmou que a recuperação do país passa por assegurar a coordenação política e operacional da ONU na reconstrução e a inclusão do governo haitiano nesse processo.

Tragédia

O terremoto aconteceu às 16h53 do último dia 12 (19h53 no horário de Brasília) e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe, a capital do país, que ficou virtualmente devastada. O Palácio Nacional e a maioria dos prédios oficiais desabaram. O mesmo aconteceu na sede da Minustah, missão de paz da ONU, liderada militarmente pelo Brasil.

Ainda não há um dado preciso do total de mortos. O último balanço das Nações Unidas indicava um total de 111.481 mil cadáveres, enquanto no sábado (23) as autoridades haitianas já estimavam um cifra na casa dos 120 mil, podendo chegar a 200 mil.

Entre os brasileiros, 21 morreram, sendo 18 militares e três civis –a brasileira Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança, o chefe-adjunto civil da missão da ONU no Haiti, Luiz Carlos da Costa, e uma brasileira com dupla-cidadania europeia que não teve a identidade divulgada a pedido da família.

No total, o Haiti já teve pelo menos 50 tremores de magnitude 4,5 ou maior desde o grande tremor. Nenhum deles causou novos danos ou vítimas, mas houve alarme entre a população. Nesta quinta-feira, dois fortes tremores –um com magnitude 4,8, conforme medição do Serviço Geológico dos EUA (USGS, na sigla em inglês)– voltaram a assustar Porto Príncipe. Na quarta-feira (20), houve mais um forte reflexo do primeiro tremor, de magnitude 6,1.

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